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Visão Política

Porque a política têm que ser feita de verdades!

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25.Abr.20

Opinião: Adormecer em liberdade, acordar em ditadura

 

image.jpgMiguel Moreira, Juventude Social Democrata 

 

 Numa das datas mais emblemáticas da nossa história, o 25 de abril verificamos que, por vezes, somos induzidos no erro de ter como garantida a liberdade e pouco lutamos por ela. De alguma forma, faz lembrar todas as vezes em que lutamos e persistimos por algo, para possuir esse algo, para sermos reconhecidos por esse algo, porém, quando finalmente alcançamos o objetivo tendemos com o passar do tempo a descorar o conquistado, esquecemos que tudo, apesar de conquistado, tudo o que fora um objetivo, tem que ser um objetivo constante. Tudo precisa de atenção. Só voltamos a lutar por ele, só voltamos a pôr em prática o dito prévio «Modus Operandi» da luta por algo, quando estamos prestes a perder o que tínhamos dado como certo eternamente.

   A liberdade requer igualmente esse carinho e dessa luta constante. A liberdade, por muito
que nos pareça algo leve e fácil, aos nossos recém antepassados foi algo de difícil
batalha e que a muitos custou a vida. A liberdade precisa da nossa luta e persistência,
ela precisa de saber que há todo um conjunto de pessoas não conformadas com a
estagnação, ela precisa de saber que há uma sociedade que está empenhada no debate,
no pluralismo, no respeito. Portanto, somado tudo, não estamos num bom caminho. Se
há quarenta e seis anos todos se empenhavam em ter uma opinião, em militar num
partido, no seu movimento sindical, ou pelo menos em ser assíduo nas urnas, o cenário
atual, é um cenário quase nos antípodas do que se passou há quarenta e seis anos.

   Infelizmente chegamos ao ponto de pessoas não saberem quem é o nosso primeiro
ministro, não saber para que servem as eleições europeias, entre tantas outras.
Os políticos têm culpa. Não educaram todo um povo para a política honesta, apenas
para os seus próprios interesses. Já tivemos políticos bons, da direita à esquerda, porém,
atualmente, somos servidos com políticos medíocres. Enquanto estudamos e
trabalhamos, muitos deles apenas «inundam» o espaço público com as suas demagogias.
A classe política não ajudou, mas por este sentimento de uma liberdade implementada,
as pessoas deixaram de lutar por ela e consequentemente deixaram de querer ter uma
voz na política.
   Acredito que, há situações, em que a vida é cíclica. Se temos saudades dos
tempos em que os nossos pais nos esperavam ao portão da escola ou na paragem do
autocarro, a vida encarrega-se de nos dar a oportunidade de vivermos o mesmo no
futuro, apenas com os papéis invertidos, possivelmente seremos nós a esperar ao portão
da escola ou a esperar na paragem do autocarro, pelo filho, pelo neto, pelo sobrinho...
Isto para dizer que a vida é cíclica como mencionei previamente. Se há quase noventa
anos todo um povo foi engolido por uma ditadura, temos que agarrar a liberdade com
muita força de modo a que os papéis não sejam invertidos e a história, no que concerne
a ditaduras, não seja cíclica. Não podemos dar como garantida a liberdade. Isto a ser
tomado como decisão por parte da sociedade, é o abrir caminho à inversão de papéis
que a vida pode dar, se há noventa anos foram os nossos antepassados a sofrer a
horrenda ditadura, quem sabe no futuro não seremos nós. Tudo depende de nós. O
primeiro passo para evitar isto, é ir praticar um direito que custou muito (inclusivamente
vidas) a ser obtido. O direito de votar.
   O 25 de abril é de todos. O 25 de abril não é só daqueles que o reclamam como
uma banal peça de património. O 25 de abril não é só da esquerda, se esses tiveram um
papel de relevo na luta contra a ditadura, sim tiveram, embora, tivessem também o objetivo e intuito de implementar outra, com a diferença de ser do outro lado do espectro político. Nos anos que se seguiram até ao momento presente, não houve uma esquerda empenhada em defender os valores de abril, houve apenas uma esquerda que se mascarou e mascara de «abrilista» para populisticamente elevar a sua ideologia. Essa mesma esquerda foi quem iniciou os tempos do PREC. Tempos difíceis em que o totalitarismo Marxista tentou levar toda uma nação nos seus devaneios. Essa mesma esquerda instrumentalizou o exército como de resto o fascismo já havia feito no passado. Tão inimigos mas por vezes tão iguais. Felizmente abril teve novembro e, a partir daí, não mais vimos a ditadura.
   Em tempo de pandemia, lembrámos a liberdade de há uns meses. A liberdade de
sair, de ir trabalhar, de muitas outras coisas que agora estamos bastante privados. A
grande diferença da pandemia para a ditadura é que na pandemia há esperança de uma
cura a curto prazo, na ditadura não há «uma cura» para a tirania humana e quem viveu
a ditadura teve que esperar quase cinquenta anos pela extinção da mesma.
Chegou a altura de lembrar e agradecer a todos os autores que contribuíram para
um desfecho de liberdade. Salgueiro Maia, Sá Caneiro (que já antes do 25 de abril lutara
contra o regime a favor da liberdade) são dois exemplos muito queridos entre outros a
quem devo o facto de viver em plena liberdade.

   Em suma, a liberdade requer boa política e a boa política requer todas as
pessoas. Saibamos nunca adormecer em liberdade pois nunca se sabe se acordaremos
em ditadura. Viva abril e viva a liberdade!

(Miguel Moreira)

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