Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Visão Política

Porque a política têm que ser feita de verdades!

Visão Política

Porque a política têm que ser feita de verdades!

YouTube

26.Abr.20

A morte da Cultura | Opinião

Screenshot_20200429-114718_Instagram.jpgHélder Sousa, estudante de Teatro

Neste mês há 46 anos anunciava-se a liberdade em Portugal! Um grande passo para a cultura. A partir de 1974, a cultura mudou e foi melhorando ao longo dos anos. Os artistas começaram a ganhar apoio e com isso tiveram liberdade para falarem e representarem todo e qualquer tema. Hoje, em pleno 2020, anuncia-se a Morte da Cultura e a Morte do Artista, agora a cultura tem liberdade, mas não tem apoios.

O XXII Governo Constitucional Português, está a alimentar a cultura como quem alimenta um pombo, de migalhas. A cultura portuguesa está a passar por uma fragilidade que nunca tinha
passado e, isto comprava que o governo, principalmente Sua Excelência o Presidente da República e Sua Excelência o Primeiro Ministro, desconhecem profundamente o que é este setor.

O Governo de António Costa orgulha-se de ter um ministério da cultura e uma ministra da cultura, mas a Dr.ª Graça Fonseca, parece mais aquela amiga que não tem muita
experiência, mas que até nos corta o cabelo porque é do mesmo prédio que nós. Graça Fonseca não tem currículo ligado à arte, mas o importante é que é do mesmo partido político do Sr. Primeiro
Ministro e, por isso, não vai reivindicar o orçamento que o governo der ao setor. Na verdade, no que toca a eventos culturais, a ministra da cultura parece aqueles concorrentes dos reality shows que fazem presenças em festas, não contribuíram para a festa, apenas apareceram no dia, mas que estão muito contentes com o resultado. Uma boa ministra, de qualquer que seja o setor, é aquela que exige mais e melhor para o seu departamento. Graça Fonseca afirma, que os tão discutidos, 1% do Orçamento de Estado para a cultura não são suficientes, mas que “Também é preciso discutir política, não se pode discutir só 1%”. Pois é, tanto não se pôde discutir no passado que agora em tempo de caos, é a morte do artista.

António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa (também conhecido como “O homem que aceita tudo o que Costa diz.”) desiludiram todos aqueles que acreditavam que, com a revitalização do Ministério da Cultura, as artes iriam ser valorizadas. Pois bem, o novo Ministério da cultura foi um presente com toda a pompa e circunstância por fora, mas bastante envenenado por dentro.

Nesta época pandémica preocupa-me que o estado ainda não tenha percebido a importância do setor cultural. Todos os dias, teatros, atores, humoristas, museus entram em nossa casa com conteúdos gratuitos (como espetáculos de teatro, salas online de visita guiada, diretos nas redes sociais, leituras encenadas e gravadas), tudo isto sem receberem uma única migalha, que é o seu
pagamento habitual. Os portugueses estão confinados em casa, mas grande parte, está com uma boa sanidade mental graças aos artistas que mostram a sua arte para entreterem a população, que muitas vezes é madrasta para com eles. Se eles agora entram nas nossas casas, quando as vidas deles voltarem as anormalidades normais temos de ser nós a visitar as suas casas, a irem aos teatros, cinemas, museus… é muito bonito vermos os espetáculos virtuais das redes sociais, mas e os técnicos que espaço ocupam e o que ganham com isso?


Há quem diga que “A cultura precisa de reconhecimento para que o estado invista nela”. Eu acho, aliás, eu tenho a certeza que nunca a cultura demonstrou tanto a sua grandiosidade e a sua preciosidade como neste momento. Atrevo-me a dizer que se a cultura fosse um banco já estaria mais que salva.

Os artistas foram os primeiros a irem para casa, grande parte sem se quer ter contratos assinados, e irão ser os últimos a entrar em cena. Mas quando entrarem em cena, se o conseguirem fazer, não
vai ser com políticas anti culturais, mas sim com uma política cultural que é bem mais do que uma política de restos, porque é isso que parece o orçamento para a cultura, restos do dinheiro do orçamento de estado que parecia bem distribuir por um setor que entretém e dá conhecimento geral à população.

A Dr.ª Graça Fonseca admitiu que todos os artistas estavam a ser apoiados nesta época de confinamento, no entanto, vários artistas têm vindo a contradizer a ministra. Existem companhias de teatro, sem fins lucrativos, que não estão a receber remunerações, existem artistas com largos anos de trabalho e descontos, que não estão a receber remunerações. Afinal quem são os artistas de que Graça Fonseca está a falar?

No futebol discute-se que os futebolistas vão receber menos alguns milhões de euros. Na cultura discute-se que os artistas, que estão em casa desde fevereiro, vão receber, se receberem, a
generosa e grande quantia de 292 ‎€. As medidas incríveis do Ministério da Cultura, ajudam 15X mais os media do que os artistas independentes. Porque será? Será porque é necessário mais dinheiro para quem insulta, todos os dias, o que é o verdadeiro jornalismo? Será porque precisamos de mais reality shows? Ou será porque os media são controlados e manipulados pelo estado?

É natural que não haja dinheiro para tudo, mas se o partido que está na frente da Assembleia tem como ideologia a social democracia, onde é que está a distribuição igualitária por todos os trabalhadores? Porquê que um recebem umas dezenas e outros uns milhões?

O pensamento de António Costa perante a cultura só pode ser: Grão a grão, enche o artista o papo! No entanto, o artista encheu o papo, mas foi de raiva por o desprezarem e não lhe darem valores. Nos tempos que se avizinham o artista não pode morrer. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e, sobretudo, mudam se as políticas culturais para que esta não seja a Morte do Artista!

Hélder Sousa

AJUDE NA LIBERDADE DE IMPRENSA

1 comentário

Comentar post