Nova Zelândia: país que recuperou da crise e tornou-se um dos mais prósperos do mundo

A Nova Zelândia não caminhava bem no século XX. Apesar de, em 1950, ser o terceiro país no ranking de países com o maior PIB per capita do mundo, essa realidade de prosperidade ficou por pouco tempo. Em 1984, o país caiu de terceiro para vigésimo sétimo colocado, e ainda viu a taxa de desemprego, que habitualmente estabelecia-se na casa dos 4%, atingir 7.2%.

A crise assolou o país, e não havia nenhum consenso sobre o que devia ser feito para sair do buraco. Contudo, não atiraram a toalha ao chão e decidiram o que devia de ser feito. Como consequência viram o país crescer como nunca.

Mas, como é que a Nova Zelândia atingiu a prosperidade? VEJA AQUI!

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Demissões e reformulação na contratação de funcionários públicos

Para além de ser um dos países com o menor índice de corrupção, segundo o relatório da OCDE, o governo tem característica incentivadora e organizadora, sendo por isso que direciona importantes investimentos para o turismo, educação e agricultura. O governo neozelandês fez uma reforma no aparelho estatal.

Segundo Maurice P. McTigue, ex-ministro do país, o primeiro passo foi reformar o método de atribuição de dinheiro aos orgãos públicos. Ao invés de simplesmente atribuir dinheiro, o que o governo da Nova Zelândia fez foi firmar contratos com os líderes de cada orgão do governo, colocando em contrato o que se esperava do trabalho de cada um.

Além disso, a própria escolha desses líderes ia para além da escolha política. A Nova Zelândia fez uma seleção a nível mundial para escolher quem faria parte dos cargos elevados do governo, tendo os contratos de emprego firmados com a seguinte regra: o funcionário só poderia ser demitido caso não cumprisse com o que foi proposto no contrato.

Apesar do transtorno gerado inicialmente, esta medida evitou que políticos, no futuro, demitissem os funcionários apenas para colocar os seus “camaradas” no lugar. E, como a primeira seleção foi feita com base no compromisso e produtividade do funcionário, o governo ganhou muita eficiência.

Inclusive, foi também promovido cortes em cargos desnecessários. O Departamento de Transportes, por exemplo, de 5600 empregados passou para 53. E de 17.000 de empregados nos serviços florestais, o número caiu para 17.

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Ou seja, a Nova Zelândia, para começar a fazer sua máquina pública funcionar, atacou dois problemas que afetavam a eficiência do setor público.

Reforma tributária

Um dos países que tiveram mais sucesso com uma reforma nos impostos foi, a Nova Zelândia. Aqui era praticada uma carga tributária que não correspondia à situação do país, e decidiram uma série de medidas drásticas com foco na redução.

A alíquota máxima do imposto de renda foi de 66% para 33%, enquanto a mínima foi de 38% para 19%. Adicionalmente, o governo definiu a alíquota sobre o consumo para 10% e eliminaram grande parte dos outros impostos, tais como os impostos sobre os ganhos de capital e sobre a propriedade.

O detalhe importante é que, geralmente, quando um país atravessa problemas fiscais, a solução apontada como correta é outra: deve-se aumentar os impostos. Contrariando o senso comum, a Nova Zelândia fez exatamente o contrário e o resultado aparentemente é benéfico: as receitas aumentaram 20%. Com menos impostos, criou incentivos para uma redução significativa nas sonegações.

Turismo

A Nova Zelândia conta com diversas atividades e pontos turísticos, somados à cultura hospitaleira do país e estruturação organizada que comporta todos os turistas.

Nesse sentido, o destaque fica para o turismo educacional que oferece cursos de idiomas, graduação, pós-graduação, mestrados e até mesmo abordagens específicas para pesquisas. A partir disso, os estudantes têm chances de conseguir trabalho no país e, posteriormente, residência.

Principalmente por estes fatores que o serviço de turismo neozelandês vem a crescer ano após ano. Com isso, o país vem investindo na estruturação da cidade, nas políticas que incentivam o turismo e também na conservação dos principais pontos turísticos.

Mudar as regulamentações

As regulamentações não permitiam o desenvolvimento da indústria neozelandesa. As regulações dificilmente eram alteradas uma vez que eram implantadas na economia, e, com decisões regulatórias erradas, o mercado era cada vez mais prejudicado.

O governo, então, encontrou uma solução: já que não conseguiam mudar a regulação em si, mudou os estatutos das quais elas estavam baseadas.

Com isso, o governo promoveu simplificações significantes nas leis e regulações implantadas, e procurou, na medida do possível, fazer com que fosse criado apenas as regulações essenciais e deixasse o mercado livre para interagir e prosperar.

Segundo um relatório da “Doing Business” de 2014, A Nova Zelândia tornou-se o melhor país do mundo para iniciar novos negócios, onde a abertura de uma empresa pode ser feita em menos de 1 dia.

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Exportações

Parte importante da economia da Nova Zelândia é representada pelas exportações. O país é conhecido pela larga produção de carne e lã. Esta atividade é direcionada, principalmente, para os Estados Unidos, China, Ásia e Canadá. 

A lã e derivados do leite também representam uma importante fatia económica, mas o cenário está em expansão. Nos últimos anos, os neozelandeses destacam-se pelas exportações de outros. São eles:

  • Madeira: matéria-prima utilizada para a produção de celulose e construção de casas;
  • Frutos-do-mar: produzidos por fazendas marítimas onde predomina o mexilhão;
  • Vinhos: cultivo de uvas de castas nobres que originam vinhos de alta qualidade que são degustados em todo o mundo;
  • Kiwi: fruta nativa da região e que é exportada para diversos países.

A grande criação de ovinos e de leite foi possível devido ao clima temperado e investimentos por parte do governo na melhoria das terras e políticas agrícolas. A partir disso, vieram as outras atividades, como a silvicultura, horticultura, pesca, manufatura e criação de veados. Essa expansão tornou a economia da Nova Zelândia ainda mais equilibrada e estável.

Além desses produtos, o país é destaque em alguns setores de recursos, como o ouro, carvão, areia, ferro, petróleo bruto e gás natural, que são utilizados tanto para uso doméstico quanto para as exportações.

Para minimizar os impactos dessas produções, a Nova Zelândia dedica-se a pesquisas que objetivam descobrir formas de diminuir a emissão de carbono, incentivar o cultivo de alimentos, produtos agrícolas orgânicos, meios limpos e renováveis de produzir energia.

Importações

A Austrália, que é o vizinho mais próximo, é responsável por movimentar milhões de dólares todos os anos, já que representa cerca de 18% das importações da economia da Nova Zelândia, enquanto as exportações neozelandesas para os australianos é de, em média, 23%.

No entanto, essa atividade não se limita ao país dos cangurus. O comércio exterior da Nova Zelândia também tem vínculos económicos importantes com Singapura, Indonésia e Malásia, com a importante fatia de 16% das suas importações.

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Serviços e governo

As políticas governamentais também oferecem todo o suporte aos produtores e empreendedores, para que os produtos cheguem aos mercados externos e consigam atender à procura.

No entanto, quando as empresas da Nova Zelândia não conseguem suprir esse volume, como acontece com a indústria automobilística, o governo atua com importações de taxa zero. Isso faz com que laços sejam fortalecidos com outras economias e ainda podem direcionar os seus recursos nas atividades que melhor produzem e que representam melhor retorno financeiro.

A economia da Nova Zelândia destaca-se pelo seu planeamento e estabilidade, sendo por esse e outros fatores que o país é visto como um dos melhores locais para viver.


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