Economia portuguesa pós troika

Na semana marcada pelos 10 anos do pedido de ajuda externa por parte do Ex primeiro ministro José Sócrates, escrevemos sobre o estado da economia portuguesa depois do FMI em Portugal

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O regresso da economia a terreno positivo coincidiu com a recuperação do consumo no final de 2013 (e de uma evolução menos negativa do investimento). Ao mesmo tempo, com uma economia terciarizada, um elevado conteúdo importado do investimento e dependência energética face ao exterior, sempre que o consumo e o investimento mexiam, as importações tendiam a voltar a aumentar, prejudicando o saldo externo.

As importações portuguesas tiveram um saldo de crescimento a começar nos últimos 6 meses de troika, uma tendência que acelerou em 2014, ao mesmo tempo que as exportações diminuíam. Houve um crescimento do crédito ao consumo (principalmente para a compra de automóveis) e a queda da poupança no último trimestre de 2013.

Entre o Governo e a troika, assumia-se que o consumo demoraria muito tempo a atingir os níveis pré-ajustamento. O empobrecimento de que chegou a falar Pedro Passos Coelho reflete-se nessa dimensão.

Analisando a decomposição do PIB, era verificável um nível de investimentos maior no último trimestre de 2013 e que as exportações se mantiveram a bom ritmo. Contudo, relativamente ao comércio internacional revelava-se um agravamento do défice comercial.

A venda de combustível ao exterior foi um dos principais fatores por trás do crescimento das exportações. Algo que o próprio FMI permitiu.

“O ajustamento externo tem sido conseguido, em larga parte, devido à compressão das importações de bens que não sejam combustíveis e, ultimamente, ao crescimento das exportações de combustíveis”

Relatório da décima avaliação.

Isso viria a ser um problema quando as importações voltaram a crescer devido à retoma do mercado interno e às unidades de refinação da Galp começarem a operar na sua máxima capacidade.

O saldo externo

O Governo fez questão de sublinhar ao longo do programa de ajustamento a necessidade de realizar uma alteração estrutural à economia. No centro dessa transformação está o elogio das empresas exportadoras e a correção do défice externo, no sentido de obter um excedente. Provavelmente o momento definidor desta estratégia de comunicação foi a conferência de Janeiro de 2012, organizado pelo “Diário de Notícias”, em que o então ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, elegeu o pastel de nata como símbolo de internacionalização das empresas nacionais.

A importância da dependência energética

A exportação de combustíveis era o principal motor das vendas de bens ao exterior. No entanto, como Portugal não é um produtor de petróleo – a Galp refina crude importado e exportava gasolina e gasóleo -, por cada exportação era necessária importação. Dados de 2008 mostram que por cada 100 euros de combustíveis exportados, Portugal importa 82 euros. A troika alertava nas avaliações do programa de ajustamento para a necessidade de não entrar em euforias em relação aos números globais das exportações.


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