O que foi o Holodomor?

Na SIC Notícias, o comentador Francisco Louçã mostrou um vídeo de um discurso de 2019. Esse discurso era relativo a um voto do PSD de equiparação do nazismo ao comunismo, onde a deputada municipal Aline Hall de Beuvink, com descendência ucraniana falou sobre o Holodomor.

Uma petição circula e defende a “Destituição de Francisco Louçã do Conselho de Estado“.

Os peticionários afirmam que “não é admissível que um conselheiro de estado tenha uma atitude destas publicamente. Que utilize uma tragédia real, que levou à morte milhões de pessoas para fazer chacota e persista com uma mentira. Lembramos também que no nosso país há milhares de emigrantes de origem ucraniana, e que se trata de um enorme desrespeito, não só da simples verdade, mas também da memória coletiva de um povo do qual acolhemos muitos membros no nosso país.”

“O horror que esse episódio histórico significou para o povo ucraniano foi um crime provocado pelo comunismo. Em momento algum diminuí o sofrimento de outros povos, de outras vítimas, de outras realidades. Qualquer extremismo, para mim, deverá ser combatido: seja ele de Direita ou de Esquerda. Daí achar essa equiparação, reconhecida pelo Parlamento Europeu, mais do que legítima.”

Aline em declarações ao Observador

Intervenção da deputada em 2019

Mas, afinal o que é que foi o Holodomor, regime que alegadamente terá levado à morte cerca de 14 milhões de pessoas?

A palavra “holodomor” vem do idioma ucraniano e significa “morte por fome”. Essa palavra é utilizada para descrever a morte de milhões de ucranianos no início dos anos 1930 pela fome calculada e programada pelo Estado soviético, que à época era comandado por Josef Stalin. O holodomor é considerado pelos ucranianos e por outras nações como um genocídio (isto é, a tentativa de eliminação radical de uma parcela expressiva de um determinado povo). Não é por acaso que muitos historiadores comparam-no ao holocausto contra os judeus, arquitetado pelos nazis.

Como ocorreu o Holodomor?

Stalin ascendeu ao poder máximo da União Soviética no fim da década de 1920. Uma das medidas mais imediatas que tomou dizia respeito à produção agrícola tanto da Rússia quantos dos outros países vinculados à URSS. A Ucrânia era um desses países. Stalin passou a desenvolver um mecanismo de controlo da produção de cereais dos camponeses soviéticos. Para tanto, passou a exigir desses camponeses uma requisição compulsória de grande parte do que era produzido. Dessa forma, a atividade agrícola seria administrada pela burocracia estatal, e não pelos proprietários das terras cultiváveis. Além disso, outra medida foi tomada: a desapropriação das terras cultiváveis, que seriam “coletivizadas”, isto é, passariam também ao domínio do Estado soviético.

A Ucrânia estava entre os principais produtores de cereais da URSS. Todavia, tradicionalmente, os ucranianos não se subordinavam aos russos e, de imediato, não obedeceram às determinações de Stalin. Como resposta à desobediência ucraniana, Stalin ordenou que a requisição de alimento na Ucrânia fosse “exemplar”, isto é, seria estimada uma percentagem de fornecimento de alimentos muito maior do que nas outras regiões. Ao mesmo tempo em que as exigências direcionadas aos camponeses eram feitas, a polícia soviética tratou de eliminar toda e qualquer liderança política e intelectual que pudesse crescer na Ucrânia e organizar uma possível revolta.

Em 1929, começaram as imposições de metas de fornecimento de cereais ao poder central soviético. A procura era tão grande que os camponeses tinham que deixar de consumir a parte destinada à sua própria sobrevivência. Praticamente tudo o que era produzido era confiscado pelo Estado. Quem resistia à imposição e era apanhado a guardar alimentos em casa era condenado a trabalhos forçados nos campos de concentração na Sibéria.

Saldo de Mortos

A morte começou a tornar-se visível e cotidiana na Ucrânia a partir de 1930, mas o pior veio nos três anos seguintes. Consta que, entre os anos de 1931 e 1933, o número de mortos era tão grande que os cadáveres acumulavam-se nas casas e eram facilmente encontrados nos campos e nas ruas. O historiador Thomas Woods descreve a situação desse contexto:

“Em 1933, Stalin estipulou uma nova meta de produção e coleta, a qual deveria ser executada por uma Ucrânia que estava agora à beira das mortes em massa por causa da fome, que havia começado em março daquele ano. Vou poupar o leitor das descrições mais gráficas do que aconteceu a partir daqui. Mas os cadáveres estavam por todos os lados, e o forte odor da morte pairava pesadamente sobre o ar. Casos de insanidade, e até mesmo de canibalismo, estão bem documentados.”

Woods, Thomas. A fome na Ucrânia – um dos maiores crimes do Estado foi esquecido. Instituto Mises.

Calcula-se que o número de mortos tenha sido de aproximadamente cinco milhões de pessoas. Mas ao levar em conta os efeitos prolongados da política económica estalinista e contando com os ucranianos que foram levados ao trabalho forçado e morreram por lá, o número pode ser superior a 14 milhões.

Fonte: Mundo da educação

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