COMO É QUE É REALMENTE A SAÚDE E A EDUCAÇÃO EM CUBA

Um dia o senador americano Bernie Sanders elogiou as conquistas da Cuba comunista numa entrevista onde afirma que quando “Fidel Castro assumiu o cargo, sabe o que é que ele fez? Tinha um grande programa de alfabetização.”

No entanto, segundo dados e estatísticas, Castro não promoveu a alfabetização dos cubanos. Cuba já tinha uma das taxas de alfabetização mais altas da América Latina quase uma década antes de o ditador assumir o poder em 1950, segundo dados das Nações Unidas (estatísticas da UNESCO).


Em 2016, Glenn Kessler, investigador do Washington Post, desmascarou uma afirmação de que o governo de Castro melhorou significativamente a saúde e a educação cubana.

EDUCAÇÃO EM CUBA

Atualmente, as crianças são ensinadas por professores mal pagos em escolas com condições precárias. Cuba teve um menor progresso educacional do que a maioria dos países latino-americanos nos últimos 60 anos.

Escola cubana

De acordo com a UNESCO, o país tinha quase a mesma taxa de alfabetização que a Costa Rica e Chile em 1950 (cerca de 80%). E tem quase a mesma taxa de alfabetização que tem hoje (perto de 100%).

Enquanto isso, os países latino-americanos que eram em grande parte analfabetos em 1950 — como Peru, Brasil, El Salvador e a República Dominicana — são amplamente alfabetizados, encerrando grande parte da lacuna com Cuba. Já El Salvador, que tinha uma taxa de alfabetização inferior a 40% em 1950, hoje apresenta níveis de 88%.

Por fim, Brasil e Peru também avançaram mais nesse sentido. Embora tivessem alfabetização inferior a 50% em 1950, atualmente, este índice chega a 94,5% e 92,6% respetivamente.

Portanto, apesar dos progressos substanciais na redução do analfabetismo nos primeiros anos de Castro no poder, o sistema educacional estagnou desde então, em contraste com a ampla melhoria da América Latina.

SAÚDE EM CUBA

Ao contrário da afirmação de que Fidel “deu” saúde aos cubanos, a verdade é que a população já tinha acesso à saúde antes de ele ocupar o poder. Inclusive, os médicos frequentemente forneciam assistência médica gratuita a quem não podia pagar.

Como observou Glenn Kessler do Washington Post:

“Quanto à saúde e educação, Cuba já estava perto do topo da pilha antes da revolução. A baixa taxa de mortalidade infantil é frequentemente elogiada, mas o país já liderava a região nessa medida-chave entre 1953-1958, de acordo com dados recolhidos por Carmelo Mesa-Lago, especialista em Cuba e professor emérito da Universidade de Pittsburgh.”

Cuba ainda liderava praticamente todos os países da América Latina no que tange à expectativa de vida em 1959, antes dos comunistas terem chegado ao poder.

Em 2012, logo após o ditador deixar o cargo de líder do Partido Comunista, as populações do Chile e de Costa Rica passaram a viver um pouco mais do que os cubanos.

Em 1960, os chilenos tinham uma expectativa de vida sete anos menor do que a dos cubanos, e os costarriquenhos viviam dois anos a menos do que os cubanos em média.

Hoje, a expectativa de vida é praticamente a mesma ao verificar as estatísticas oficiais otimistas apresentadas pelo governo de Cuba, o que muitas pessoas não aceitam. Afinal, o país tem sido acusado de esconder mortes infantis, e exagerar na expectativa de vida dos cidadãos.

SAÚDE PÓS FIDEL CASTRO

Cuba teve um menor progresso em saúde e expectativa de vida do que a maior parte da América Latina nos últimos anos, devido ao seu sistema de saúde

“Os hospitais na capital da ilha estão literalmente a cair aos pedaços.” O paciente “tem que trazer tudo com ele, porque o hospital não oferece nada. Travesseiros, lençóis, remédios: tudo.”

Como Kessler do The Washington Post observou:

“Os repórteres também documentaram que os hospitais cubanos estão mal equipados. Uma série de 2004 sobre o sistema de saúde de Cuba no National Post do Canadá disse que as farmácias tem pouca oferta e os antibióticos estão disponíveis apenas no mercado ilegal.”

“Um dos mitos que os canadenses guardam sobre Cuba é o de que o seu povo pode ser pobre, viver sob um governo repressivo e ainda ter acesso a instalações de saúde e educação de qualidade”, escreve o ‘Post‘. “É um retrato encorajado pelo governo, mas a realidade é totalmente diferente.”

Sob o comunismo, Cuba também ficou para trás em medidas mais gerais de desenvolvimento humano. Como o economista progressista Brad DeLong apontou:

“Cuba em 1957 — era um país desenvolvido, com mortalidade infantil mais baixa do que a de França, Bélgica, Alemanha Ocidental, Israel, Japão, Áustria, Itália, Espanha e Portugal; tantos médicos e enfermeiras per capita quanto os Países Baixos e mais do que a Grã-Bretanha ou a Finlândia; tantos veículos per capita quanto Uruguai, Itália ou Portugal; 45 TVs por 1000 pessoas — a quinta maior do mundo…Hoje? Hoje, a ONU coloca o IDH de Cuba na mesma faixa que o México.”

Carmelo Mesa-Lago acha que os cálculos da ONU estão seriamente falsos, sendo os pares certos de Cuba no IDH semelhantes a lugares como China, Tunísia, Irão e África do Sul.

Como Michael Giere observa, Cuba era próspera antes dos comunistas de Fidel Castro chegarem o poder:

“Um relatório das Nações Unidas (UNESCO) em 1957 observou que a economia cubana incluía proporcionalmente mais trabalhadores sindicalizados do que nos Estados Unidos. O relatório também afirmou que os salários médios por um dia de oito horas de trabalho eram mais altos em Cuba do que na “Bélgica, Dinamarca, França e Alemanha.”

Já a PBS explicou numa retrospetiva de 2004 que:

“Havana [antes de Castro] era uma cidade brilhante e dinâmica. Cuba ocupava o quinto lugar no hemisfério em renda per capita; o terceiro em expectativa de vida; o segundo em propriedade per capita de automóveis e telefones; o primeiro em número de aparelhos de televisão por habitante. A taxa de alfabetização, 76%, foi a quarta maior da América Latina. Cuba ocupava a 11ª posição mundial em número de médicos per capita. Muitas clínicas e hospitais privados prestavam serviços aos pobres. A distribuição da renda de Cuba comparava-se favoravelmente com a de outras sociedades latino-americanas. Uma classe média próspera trazia a promessa de prosperidade e mobilidade social.”

Porém, depois de Castro assumir o poder, a prosperidade chegou ao fim:

“A destruição de Cuba por Fidel Castro não pode ser exagerada. Fidel saqueou, assassinou e destruiu a nação do zero. Apenas um factoide explica tudo. Os cubanos já desfrutaram de um dos maiores consumos de proteínas das Américas, mas em 1962, Castro teve que introduzir os cartões de racionamento (carne, 60 gramas por dia), pois o consumo de alimentos por pessoa caiu para níveis nunca vistos desde 1800.”

FOME EM CUBA

A fome espalhou-se tanto que um médico sueco visitante, Hans Rosling, teve que alertar o ditador cubano em 1992 sobre a ampla deficiência de proteína entre os cubanos. Foi relatado que cerca de 40 mil cubanos tinham experimentado “embaçamento visual e dormência severa nas pernas”.

À época, Rosling investigou a convite da embaixada cubana na Suécia e com a aprovação do próprio Castro, viajou até ao centro do surto, na província ocidental de Pinar del Río.

Lá, descobriu-se que todas as pessoas afetadas pela doença sofriam de deficiência de proteínas. Visto que o governo estava a dar carne, os adultos passaram a sacrificar a sua porção para alimentar crianças, mulheres grávidas e idosos. E o Dr. Rosling afrima ter avisado Fidel Castro sobre isto.

Será que a narrativa de que a ditadura cubana “não tinha fome, educava todas as suas crianças e oferecia assistência médica gratuita de alta qualidade” não passa de um mito?

Fontes: Identificadas nas palavras.

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