A Economia da Venezuela: Da RIQUEZA ao COLAPSO ECONÓMICO

Em 1950 o PIB per capita da Venezuela era o quarto maior do mundo, ficando à frente de grandes nações à altura como Austrália, Canadá e Suécia. Como consequência a mais rica da América Latina. Tinha a maior reserva de petróleo existente. As exportações chegavam a todos os continentes. Os venezuelanos sustentavam uma grande estabilidade económica e social. Entretanto, em menos de 70 anos a economia venezuelana desabou e hoje cerca de 79% da população está em extrema pobreza, uma estabilidade política tomou conta do país e a inflação disparou até 80000%.

O que aconteceu à Venezuela para chegar a este ponto?

No início do seculo XX foram descobertas na Venezuela reservas de petróleo, no total cerca de 360 biliões de barris e a economia desenvolveu-se com implementação de diversas empresas estrangeiras e com uma intervenção estatal quase nula.

Em 1943 foi aprovada a lei dos hidrocarbonetos que impôs o imposto de 50% do lucro das petrolíferas privadas para dividir entre empresas estrangeiras e Estado.

Nesta época a 2ª guerra mundial está no auge e por isso, os Estados Unidos que dependiam muito do petróleo venezuelano não se opuseram e continuaram a investir. Esta lei, somada a um período de extrema procura pelo recurso levaram a que o estado lucrasse muito dinheiro. Neste período o pais viveu uma grande era de prosperidade económica, o crescimento do pós 2ª guerra manteve o preço do petróleo alto e a Venezuela tornou-se um dos maiores produtores deste recurso no mundo.

Para além disso, entre 1950 e 1957 o investimento estrangeiro no país triplicou. Durante este período os gastos públicos em programas sociais aumentaram drasticamente, enquanto o apoio popular crescia.

Em 1973, os países árabes anunciaram que não vendiam petróleo para os países ocidentais devido às declarações de apoio a Israel na guerra. E, por isso a procura dos países ocidentais pelo petróleo venezuelano levou a que o preço do barril de petróleo aumentasse 260%. Com isso, a quantidade de dinheiro que o país ganhou quintuplicou entre 1970 e 1979.

Nesta época o presidente Carlos Pérez criou o fundo de investimento venezuelano, com o intuito de guardar metade das receitas provenientes do petróleo. Mas na prática, nunca aconteceu e Pérez tratou-o como um banco.

Em 1976, companhias petrolíferas estrangeiras foram nacionalizadas com o apoio popular e foi criada a PDVSA. Notar que nessa época a participação do petróleo nas receitas do governo atingiu 81%, ou seja, estavam extremamente dependentes deste recurso.

A Venezuela caiu na chamada “Doença holandesa” que é o termo usado para descrever o que aconteceu na Holanda em 1959 quando descobriram uma enorme reserva de gás natural. Esta descoberta levou a que inúmeras empresas estrangeiras investissem o capital no país e este fluxo de investimentos ao longo do tempo valorizaram a moeda holandesa. Com a moeda forte, os produtos estrangeiros tornaram-se baratos dentro do país e os nacionais, caros no mercado internacional. Desta feita, as mercadorias estrangeiras dominaram o mercado holandês e a economia viu-se dependente do recurso natural encontrado e muito exposta às mudanças de preço, e era precisamente o mesmo que acontecia à Venezuela em relação ao petróleo.

Enquanto países como Catar e Arábia Saudita que também possuíam muito petróleo e gás natural, investiram em grandes centros turísticos e financeiros, criaram fundos de investimento, diversificando a economia local para garantir um futuro sustentável. Economicamente, a Venezuela optou por aumentar gastos com programas sociais de modo a manter a popularidade dos políticos.

Em 1980, o preço do petróleo caiu mais de 50% e economia declinou juntamente, mas mesmo assim não foram reduzidos os altos gastos governamentais. Dessa forma, a divida externa do pais aumentou, atingindo 7 biliões de dólares e como consequência começaram a utilizar o dinheiro da estatal petrolífera. Com o intuito de reduzir a inflação gerada, o presidente tabelou os preços nos produtos e o resultado foi: mais inflação e crescimento do mercado negro.

Em 1989, as percentagens de pobreza na Venezuela já eram 10 vezes maiores do que em 1980 e os programas sociais já não existiam. O presidente Pérez que voltou ao poder para, supostamente mudar os destinos do país, adotou uma medida económica liberal.

  • Reduziu gastos públicos;
  • Congelou salários;
  • Desregulou o sistema financeiro;
  • Reduziu impostos;
  • Aprovou a lei de privatizações;
  • Reduziu a intervenção do estado na economia.

Estas reformas falharam. Principalmente, porque já sofriam com os enormes défices fiscais causados pela dependência do petróleo. A iniciativa privada que esteve sufocada ao longo de muitos anos, numa economia muito estatizada e com a rápida liberalização, não tiveram tempo de competir com os produtos importados com preços favoráveis. Para alem disso, o país vivia uma enorme instabilidade social e política, várias tentativas de golpe contra o presidente vigente e com a desregulamentação financeira, as taxas de juros dos bancos que antes estava fixada, saltou agora para 12% e contrastou drasticamente no acesso quase nulo das empresas a créditos. Mesmos as contas publicas apresentando melhoras após a redução de gastos e restruturação da dívida com o FMI (Fundo Monetário Internacional), o quadro interno piorou com a perda do poder de compra da população, desemprego e queda económica industrial.

Quando Chávez foi eleito presidente, o início do governo coincidiu com a ascensão do preço do petróleo, com isto o pais voltou a crescer. No entanto, foram repetidos os mesmos erros do passado e aumentaram os gastos públicos novamente.

De notar que, países como a Noruega também investe muito dinheiro público na qualidade de vida da população, mas faz exatamente o contrário à Venezuela. Ou seja, todo o dinheiro arrecadado com o petróleo é depositado num fundo de investimentos e é somente usado o lucro do fundo acima da inflação e assim asseguram o futuro das próximas gerações.

Entre 2003 e 2008, o presidente Chávez fez exatamente o contrário e gastou cerca de 23 biliões de dólares. As despesas governamentais em proporção com o PIB aumentaram 40%. O gasto social triplicou e a divida publica aumentou 107% em 12 anos.

Os sucessos dos programas redistributivos e os anos de crescimento do governo Chávez, foram sustentados pelo aumento petrolífero.  

Entre 2004 e 2008, o país cresceu cerca de 8% ao ano e a pobreza reduziu 25%, aumentando a popularidade do governo novamente. Mas em compensação a Venezuela estava mais dependente do petróleo do que em qualquer outra época da história. Para além disso, a partir de 2007 Chávez, começou a nacionalizar as companhias que já tinham sido privatizadas e até 2017 já com Maduro no poder, mais de 1000 companhias tinham sido nacionalizadas.

A dependência do petróleo tornou-se novamente um problema em 2008 após a crise financeira. A procura por recursos reduziu drasticamente. O preço do barril de petróleo caiu 68% e os investidores saíram de vez da Venezuela e foi a partir deste período, com um governo de altíssimos gastos e dependência do petróleo que as dividas aumentaram de 12 biliões para 37 biliões. Para piorar a situação, em 2014 o barril de petróleo passou de 96 dólares para 49.

Numa tentativa de resolver a situação, o governo controlou desesperadamente os preços dos produtos para, alegadamente controlar a inflação. Acelerou o programa de estatizações e aumentou a quantidade de dinheiro em circulação em 73000% em 2016, o que resultou num agravamento da inflação.

Entre 2014 e 2020 o PIB caiu 40% e os habitantes encontram-se num cenário dramático de pobreza extrema e uma das maiores taxas de inflação do mundo.

FONTES: Fonte. Fonte. Fonte. Fonte. Fonte. Fonte. Fonte. Fonte. Fonte. Fonte. Fonte.

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