A propósito do centenário do PCP

Na semana de aniversário do PCP, a cidade do Porto acordou em choque vendo a Avenida dos Aliados coberta de estandartes com o símbolo comunista. Se eu não conhecesse bem o aspeto daquela avenida e me mostrassem uma fotografia desta a preto e branco, ia jurar que nos encontrávamos em Minsk por volta de 1980.

Não quero focar-me no PCP em específico, mas na ideologia que defende. Uma ideologia antidemocrática. Gostaria de imaginar a reação das pessoas caso, em vez de a imagem da foice e do martelo lá estivesse uma suástica. É lógico que iria chocar todos, e dado a realidade portuguesa isso parece-me natural. Espero que o leitor não me tome por alguém que simpatize de modo algum com regimes fascistas. Esclareço já que a meu ver este tipo de regime foi o pior que o ser humano alguma vez concebeu.

Os portugueses têm muito presente aquilo que foi o horror dos movimentos fascistas na Europa no século passado, mas sinceramente parece-me que ignoram os horrores cometidos pela ideologia comunista em todo o mundo, bem como a sua incompatibilidade com o ideal mais importante que temos, a liberdade! Caso o tivessem bem presente, estou seguro de que as reações teriam sido diferentes.

A verdade é que a foice e o martelo simbolizam a ideologia responsável pela morte de pelo menos 100 milhões de pessoas, repare-se que, de tão banalizada que a morte às mãos destes regimes foi, que nem se sabe ao certo quantos os que foram brutalmente assassinados por esta ideia, a ideia de que todos os indivíduos, sem exceção nascem condenados a servir e a canalizar os seus esforços para atingir os “objetivos comuns”, para alcançar o “bem da sociedade”, sendo obrigado a abdicar dos seus sonhos e objetivos pessoais, se é que alguma vez os tiveram (imagino que alguém cuja luta diária é encontrar comida para sobreviver a mais um dia não tenha muito tempo para sonhar e elaborar objetivos).

Creio que em Portugal não associamos o comunismo à morte, sofrimento, fome e escravidão porque não sofremos na pele o Holodomor, não sofremos assassinatos em massa e não tivemos pessoas presas nem torturadas em nome deste movimento. Mas não é porque nunca vivemos num regime destes, que devemos ignorar a tirania e os atos bárbaros cometidos pelos mesmos por este mundo fora. 

Parece-me também estranho que exista quem associa o comunismo à democracia e liberdade individual.

O comunismo é o expoente máximo do coletivismo. E o coletivismo é o oposto de liberdade individual. A ideologia do comunismo tem como objetivo criar uma sociedade onde a palavra de ordem seja organização. A cada pessoa é atribuído um trabalho específico, uma função específica na sociedade, de modo a que todas as pessoas, cada uma a desempenhar a sua função contribuam para o bem comum. Isto assenta na ideia de planeamento central, em que todos os cidadãos trabalham para atingir os objetivos delineados pelos governantes. Isto significa que, caso viva num regime comunista eu não sou livre para utilizar as minhas qualidades e capacidades individuais para alcançar os meus objetivos pessoais, mas em vez disso sou forçado a pôr de parte o meu projeto de vida para alcançar os objetivos de terceiros. Isso não é liberdade, é servidão! Cada indivíduo deixa de ser um fim em si mesmo para passar a ser um mero meio para atingir o fim delineado por quem manda.

Num regime destes, centrado no planeamento central, as pessoas deixam de ser vistas como únicas e passam a ser vistas como estatística. Daí os ditadores típicos desses regimes não se importarem com assassinatos em massa. Quem o confirma é o próprio Stalin que diz: “A morte de uma pessoa é uma tragédia, um milhão de mortes é estatística”.

Para além disso, é evidente que a imposição deste tipo de ideologia baseada no planeamento central e coletivismo só é possível através de medidas autoritárias. Por outras palavras, a única forma de fazer com que os indivíduos sigam o plano traçado para as suas vidas de modo fiel para que atinjam os objetivos da sociedade é oferecendo recompensas aqueles que estiverem dispostos a abdicar do seu projeto de vida pessoal e castigando quem não o fizer. 

É natural que seja escandaloso para quem viveu os horrores do comunismo encontrar uma avenida portuguesa repleta de bandeiras com a foice e o martelo. Não deixa de ser triste que os portugueses, na sua generalidade, não repugnem esta ideologia só porque não sentiram as suas consequências na pele, ignorando o sofrimento de milhões às mãos da mesma em vários outros países.

Está na hora de abrirmos os olhos. Comunismo NUNCA!

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