O que é o liberalismo?

Como o próprio nome aponta, o liberalismo é uma teoria política, económica e social alicerçada nos ideais de liberdade individual e mercantil, em que toda a população deve ter direitos humanos iguais para garantir a livre concorrência no mercado.

Nesse sentido, os governos adeptos ao liberalismo económico e político devem promover a liberdade singular e evitar imposições estatais, desenvolvendo uma sociedade justa e igualitária para todos, inclusive na distribuição de serviços e recursos públicos.

Dessa forma, uma das bases fundamentais do modelo é o individualismo, tendo em vista a sua prioridade em frente ao coletivo.

Por outras palavras, ao não considerar a hierarquia social, cada ser humano se torna livre e igual perante o Estado e, portanto, vive em função das suas próprias necessidades.

É possível perceber, então, que esse movimento teve início com o iluminismo e as revoluções burguesas europeias, tendo o intuito de acabar com a monarquia e formas de controlo social.

A partir disso, a teoria liberal demandava a livre e ampla concorrência no mercado, sem a atuação e restrição do Estado, assim como exaltava a liberdade de expressão e de pensamento, tanto no universo ideológico quanto religioso.

No entanto, embora o discurso manifestasse a importância do desenvolvimento de direitos iguais, com a livre concorrência económica, as sociedades foram tornaram-se cada vez mais desiguais, ocasionando problemas políticos e económicos, que, em conjunto com a destruição social da Primeira Guerra Mundial e as correntes socialistas e comunistas, levou o liberalismo ao fracasso.

Teóricos do liberalismo

Assim como as outras ideologias políticas e sociais tiveram seus teóricos, o liberalismo contou com diversos autores que desenvolveram técnicas e funcionamentos para o novo modelo económico.

Adam Smith

Com conhecimentos sólidos sobre economia e filosofia, Adam Smith contribuiu para a criação e o fortalecimento do liberalismo ao desenvolver a teoria laissez-faire, isto é, a atuação livre do mercado privado sem interferências e imposições estatais — que, na época, eram realizadas pelo mercantilismo.

Justamente por isso, ele é conhecido como o pai do liberalismo económico, enaltecendo a individualidade e influenciando as industrializações europeias. Para Adam, isso não só permitiria o crescimento económico privado, como também promoveria o bem-estar social.

John Locke

Enquanto Adam Smith era o pai do liberalismo económico, John Locke ficou conhecido como o fundador do liberalismo político, com a criação de ideais flexíveis para alavancar o poder privado e favorecer a ascensão da burguesia e, por consequência, dando base à Revolução Francesa, de 1789.

Segundo a teoria, cada ser é livre para fazer o que quiser, desde que não prejudique a existência do outro, reforçando o ideal individualista do sistema liberal.

Características do liberalismo

Ao longo da história ocidental, o liberalismo tomou várias formas, encontrando soluções para alinhar a liberdade e a igualdade dentro da sociedade. Dessa forma, surgiram diferentes modelos liberais — como o clássico, o económico e o político —, cada um priorizando uma esfera ideológica.

Por exemplo, no liberalismo clássico, o sistema dá preferência aos direitos civis, sustentando-o como foco de intervenção. Já o económico tende a focar no mercado e na baixa atuação estatal.

No entanto, todas as vertentes iniciaram num ponto em comum, sendo sustentadas por bases específicas que determinam o que é o liberalismo.

  • Ampla e livre concorrência de mercado;
  • Individualismo e valorização do trabalho;
  • Diminuição das barreiras económicas e medidas restritivas;
  • Valorização das leis;
  • Liberdade ideológica e de expressão, priorizando a tolerância quanto aos pensamentos contrários e opositores;
  • Implantação da lei da oferta e procura, isto é, quanto mais produtos disponíveis no mercado, menor deverão ser os preços.

Liberalismo Político

Desenvolvido por John Locke, o sistema político liberal é opositor ao modelo monárquico, visto que as ideias do rei e aliados não englobam o desejo da população como um todo e, muito menos, os individuais.

Dessa forma, um regime pautado nas vontades de uma única pessoa não permite o crescimento económico e social, ferindo os princípios de liberdade e igualdade preconizados pelo liberalismo.

Então, dentro desse modelo, o Estado tem atuação reduzida e é substituído pela razão individual, liberdade civil e transparência política, com a criação de leis claras formuladas pelo poder estatal com um processo eleitoral e democrático.

Liberalismo Económico

O sistema liberal defende a livre atuação do mercado, isto é, sem interferência de taxas, barreiras e regimes fechados do Estado. Nos países em que o liberalismo económico atua, o crescimento exponencial da produção é facilitado e, por consequência, o lucro.

Aqui, as leis da livre concorrência e de oferta e procura são bem-vindas, assim como o direito à propriedade privada e a forte valorização do trabalho humano, que contrasta em sustentos para a sobrevivência individual.

Liberalismo e Neoliberalismo

O liberalismo entrou em fracasso após a Primeira Guerra Mundial em função da desigualdade social criada. Depois das mudanças sociais, políticas e económicas que aconteceram durante a Guerra Fria e após a Segunda Guerra Mundial, surgiu o conceito de neoliberalismo.

Ao avaliar certas incoerências no discurso do modelo clássico e a ineficiência em adaptar-se ao contexto atual — capitalista, globalizado e diversificado —, alguns teóricos desenvolveram um novo sistema com base nos ideais tradicionais.

Por outras palavras, a grande diferença entre liberalismo e neoliberalismo é o contexto social em que é aplicado. Enquanto o primeiro foi criado como uma forma de luta contra a monarquia, o segundo surgiu para apoiar os ideais capitalistas, favorecendo a economia privada.

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