A impunidade de Costa

“Os portugueses não suportam mais promessas que não possam ser cumpridas”.

– António Costa, 2015.

A meu ver, uma frase tão irónica como esta merece um maior destaque. A afirmação anterior veio do mesmo político que, já em funções, prometeu: reduzir a dívida pública para menos de 100%, um forte combate às desigualdades, um aumento global dos salários, ou outras medidas populistas no programa do PS, sem rigor e sem números, extremamente genéricas.

De facto, com um presidente da república submisso e a que deveria ser a principal figura de oposição (Rui Rio) a não a fazer, António Costa frui de um caminho para o crescimento sem qualquer atrito. O povo iletrado (politicamente) é manipulado pelo PS, e o seu governo, a acreditarem nas inúmeras promessas feitas. No entanto, face a todos as recentes polémicas, os péssimos indicadores económicos, o nepotismo e a corrupção, como é que a figura de Costa parece não ficar manchada?

Começando com a atual pandemia, digo apenas o seguinte: nos EUA, a má gerência do covid-19 era culpa de Trump; No Brasil, de Bolsonaro; Em Portugal, a culpa é dos portugueses, da sua falta de civismo e dos ajuntamentos. É intencionalmente feita uma falaciosa culpabilização da nossa população pelo governo e pelos órgãos de comunicação social (afetos ao governo). 

Não nego a falta de noção de dever cívico na nossa sociedade. Mas nunca poderei admitir que sejamos o país (ou um dos países) do mundo com mais mortos por milhão de habitantes, exclusivamente devido aos ajuntamentos do nosso povo. 

António Costa e o seu conselho de ministros não assumem qualquer responsabilidade pelo catastrófico manuseamento da situação actual, não mencionando o facto de ainda não usarmos toda a força hospitalar disponível, ou de estarmos ativamente a ignorar a situação atual de sobrelotação dos transportes públicos, transferindo as culpas para os portugueses. 

Ensina uma pessoa a pescar, não lhe ofereças um peixe. O combate à desigualdade tem de ser abordado com uma visão reformista da nossa economia: É crucial haver um notável aumento do investimento privado; uma reestruturação dos setores do IRS e uma diminuição da carga fiscal, que é hoje a mais alta da nossa história; diminuir o peso do estado nas vidas dos portugueses, eliminando processos desnecessariamente burocráticos, por exemplo, e uma (muito) melhor gestão das contribuições fiscais, evitando enterrar milhares de milhões de euros em nacionalizações escusadas.

Desde o 25 de abril, 19 governos socialistas (em 26) implicaram uma sociedade pobre, desigual e subsídiodependente, uma economia incapaz e um estado faminto. Em adição, temos uma classe média inexistente e um grave problema com a emigração dos nossos futuros talentos, explicado, em parte, pela supra citada corpulenta carga fiscal.

O melhor amigo de um governo socialista é um povo pobre: para alguém no limiar da pobreza, sem opções, a suposta ajuda aos carenciados que o PS clama, é vista como uma melhor alternativa que uma reestruturação económica. Coloco ênfase na palavra “suposta” pois, com Costa, nem se dá a tão necessária reestruturação, nem se auxilia  os pobres. A conjuntura sócio-económica resultante desta governação só evidencia que o socialismo do PS corta as pernas e os braços aos portugueses e oferece-lhes muletas. 

Um estado obeso, a burocracia, e a implacável carga fiscal resultam na mínima iniciativa privada que Portugal regista e na nossa classe média inexistente, na crescente desigualdade social e especialmente na falta de meritocracia, assegurando que Portugal é empurrado para o último lugar da maioria dos rankings económicos europeus.

A dívida pública regista, atualmente, valores crescentes e alarmantes, no ordem dos 132% do PIB. António Costa certamente se esqueceu da sua promessa eleitoral.

Claramente, isto não afeta os eleitores socialistas, enamorados com as promessas de igualdade e prosperidade que são, no mínimo, utópicas (pelo menos com o PS no poder).

A doutrina de Costa apresenta-se como aliciante e cativante. Mas não passa disso: uma doutrina apenas, que vem sendo implementada nos últimos 40 anos e que apenas consolidou a posição do nosso país na cauda europeia.

Face a países como a República Checa, Irlanda, ou Estónia, deixo a seguinte pergunta: existe algum país europeu que tenha subido nos rankings económicos através de aumentos na carga fiscal, menos investimento privado, aumento do tamanho do aparelho do estado e com mais intervenção estatal na economia? 

Para quem crê que a economia não deverá ser o único indicador de prosperidade de um governo, relembro que conjunturas económicas favoráveis estão diretamente relacionadas com aumentos nos salários, crescimento da classe média e melhores condições (generalizadas) de vida.

Ensina uma pessoa a pescar, não lhe ofereças um peixe.

Aliado ao actual estado depressivo da sociedade portuguesa, surge outro problema: os ataques que a nossa democracia tem vindo a sofrer.

Portugal passou a ser considerado uma democracia com falhas, segundo a revista The Economist.

As arbitrárias (e desnecessárias) supressões à liberdade individual impostas pelos sucessivos estados de emergência, o fim dos debates quinzenais, o aumento do número de assinaturas necessárias para se discutir no plenário petições, culminam no triste e perigoso enfraquecimento do nosso sistema democrático. Assim como a imoral escolha do novo procurador europeu, a quase PIDEsca vigilância a vários jornalistas, ou Costa responder a críticas da oposição com acusações de anti-patriotismo.

Termino este artigo colocando o dedo diretamente na ferida: noutros países, face a polémicas (de muito menor dimensão que as portuguesas) políticos tomam iniciativa e demitem-se dos seus cargos. Isto pois, supostamente, o estado e o governo existem para servir a população, e não o inverso. Em Portugal, consigo apontar 3 ministros cuja demissão é para ontem. Na falta dela, é imperativo que António Costa os demita. Van Dunem, Marta Temido, Eduardo Cabrita, numa democracia consolidada já estariam afastados das suas funções. 

Mas la está: Portugal é tudo menos uma democracia consolidada.

Miguel Gavino, Contra-argumento.

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